segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sobre Terremotos, Nepal e Wesak







Sobre Terremotos, Nepal e Wesak

A recente tragédia ocasionada pelo devastador terremoto que assolou o Nepal tem implicações muito mais profundas do que imaginamos, com externalidades além das consequências materiais e humanas, embora essas nos causem dor e consternação por todo sofrimento gerado. A começar por ter ocorrido no Himalaia, a mais alta e uma das mais jovens cordilheiras do mundo, surgida há cerca de 60 milhões de anos atrás quando a placa do subcontinente Indiano se chocou com a placa  Eurasiana. Sua altitude média é de 4.500 metros e está cravejada de picos que ultrapassam facilmente os Sete Mil metros, sendo dois deles os mais famosos e elevados do mundo: Everest(localizado no Nepal próximo da fronteira com a China) e K2. Lá também encontramos a “montanha” mais sagrada para a tradição Védica: O Monte Kailash, que é a representação física do “umbigo” espiritual do mundo, conhecido como Monte Meru no qual Shiva teria se manifestado e revelado seus ensinamentos, especialmente o Yoga.
 O Nepal é um País praticamente cravado nos contrafortes himalaicos, e junto ao Tibet(lembrando que esse pertence a China) e Butão são as regiões habitadas mais altas do mundo. Sabemos que o Nepal é uma nação economicamente limitada, sustentada pela monocultura do arroz e mais recentemente pelo turismo (a partir dos anos 60 devido ao movimento hippie). Possui renda per capita e IDH entre os mais baixos do mundo, no entanto e curiosamente exibe um dos mais elevados níveis de felicidade per capita dentre os países “pobres”, superando até mesmo nações mais desenvolvidas, ou seja, a exemplo do diminuto e quase esquecido Butão, nada do que elegemos como referencia ou medida para a felicidade conta muito para os Nepaleses. Claro que existem problemas, muitos dos quais nós não suportaríamos, mas de maneira geral seus habitantes não se deixam afetar tão visceralmente face aos desmandos políticos e a falta de infraestrutura. Talvez a beleza daquela região, o fato do País estar no “teto do mundo” e a presença de uma religiosidade muito pura e inofensiva transpirada por todos os lados compensem outras necessidades, e isso é compartilhado pela maioria dos ocidentais que passam por lá, sempre encantados e com vontade de retornar.
A Capital Katmandu fica incrustrada na encosta sul dos Himalaias. Sua altitude é modesta  para os padrões da região(1.700 metros no ponto mais elevado) e possui uma das maiores densidades demográficas do mundo: com uma área de apenas 60 km2 comporta  1 milhão de habitantes, numero que dobra quando contamos a região metropolitana.  Essa proporção faz com que tenhamos uma densidade de 19.500 mil habitantes por km2, sem falar que essa aglomeração fica entulhada em terreno totalmente acidentado, cercado por falésias, escarpas e desfiladeiros! Podemos, então, imaginar do ponto de vista físico os estragos que qualquer abalo sísmico causa nesse cenário, sobretudo quando falamos de uma região geologicamente nova e que ainda está se acomodando.
Terremotos são relativamente comuns no Himalaia, mas como grande parte do seu território é pouquíssima habitada raramente ocorrem grandes danos e prejuízos. Mas o tremor do ultimo dia 25 afetou milhões de pessoas e se espalhou por uma área muito vasta, tendo impactado quase todo o maciço himalaico. Então, vamos falar sobre os desdobramentos desse evento nos domínios físico e metafísico para refletir sobre questões muito importantes que nos impactam mais do que supomos saber.
Montanhas são formações geológicas carregadas de significados espirituais, são símbolos naturais da elevação da matéria ao espírito. Seus cumes representam ponteiras de captação e irradiação energética, assim como a síntese e a quintessência da experiência material. Realmente é incrível contemplar milhões de toneladas de rochas vencendo a gravidade e se projetando para cima, é uma visão inspiradora e magnífica que tende a capturar até mesmo os olhares mais dispersos. No entanto, mais inspirador ainda é poder contemplar do alto de uma montanha o panorama que se estende abaixo: Usufrui-se de uma perspectiva de causa e efeito incrível capaz de açambarcar simultaneamente diferentes áreas e situações em tempo único.  Emudecemos os lábios e silenciamos a mente, cerramos a audição e somos apenas contemplação e interação. Nossa visão ganha mais acuidade e amplitude, e isso impulsiona nossa consciência a fazer o mesmo. A verticalização, o ar rarefeito e a necessidade de concentração e leveza uma vez combinados, geram um estado de consciencia muito próximo da atenção plena, aquele estado de inteireza e presença buscado pelos praticantes do “alpinismo interno”




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Sabemos que altitudes elevadas facilitam nossa resposta ao Plano Mental, o Plano das Ideias. Por essa razão é comum a existência de mosteiros, templos e eremitérios em ermos montanhosos, lugares quase sempre consagrados a vida meditativa e aos estudos. Também sabemos que inúmeras tradições e culturas reverenciam certas montanhas e maciços como centros de força, fato confirmado pelas inúmeras citações  feitas à montes e montanhas sagradas em escrituras religiosas do mundo inteiro. Ei-las algumas: Monte Horebe, Monte Kailash/Meru, Monte Atos, Monte Ararat, Monte Shasta, o próprio Everest enquanto símbolo de elevação espiritual, Monte Carmelo, Arunachala, Monte Sinai, WuDan, Monte Olimpo, Monte Fuji, Monte Nada Devi, Monte Hengi, Monte Putucusi e muitos outros elevados que chegaram a ser o epicentro da formação de civilizações inteiras.  O fato é que em muitos desses locais existem “plexos” energéticos formados pela convergência de meridianos que favorecem a precipitação de forças específicas, algo similar aos chacras. Nem todos esses montes e picos estão localizados em grandes cadeias de montanhas como também não apresentam nenhum exotismo natural ou exuberância. Eles se destacam nas culturas locais e universais por razões simbólicas, históricas e metafísicas. O homem sempre reconheceu neles alguma forma de elevação interior e de proximidade com Deus.

A Cordilheira do Himalaia é a segunda maior Cadeia montanhosa do mundo, um arco de 2.600 km de extensão no sentido oeste-leste( do vale do Rio Indo ao vale do Rio Brahmaputra).  Em largura varia de 150 km à 500 km. Ela inclui todo o Nepal, nordeste do Paquistão, sudoeste da China (Tibet), norte da índia e o Butão. Sua extensão é modesta quando comparada aos quase 10.000 km dos Andes, embora essa Cordilheira seja uma anã frente ao Himalaia. Vejamos: Se o Aconcágua com seus 6.900 metros é o pico Andino mais alto, somente no Himalaia existem mais de Cem picos que extrapolam os 7 mil metros, sem mencionar a dúzia de picos com mais de 8 mil! No entanto, a aura sagrada que envolve essa impressionante Cadeia de titãs é justificada por uma razão complementar e além da sua “estatura” física: As Tradições mais reservadas do Vedanta(Sanatana Dharma) e do Budismo afirmam que nos ermos mais inacessíveis existem comunidades monásticas cujo acesso é proibido e que ainda zelam por muitos dos mais secretos conhecimentos. E mais: Na contraparte etérica existem comunidades não físicas relacionadas ao Governo Espiritual do Mundo compostas em grande parte por Adeptos do Quinto Reino da Natureza, O Reino Super Humano. Algumas Escolas Esotéricas denominam o conjunto dessas comunidades de “Confraria Transhimalaica” por se estender dentro e além dos limites físicos da região. Conforme os Ensinamentos Teosóficos, é no Deserto de Gobi, na Mongólia, que existe a fundação espiritual da Terra, uma réplica do “Ponto de Luz da Mente de Deus”, conhecida como Shamballa, um Centro de Vida-Consciencia que pouco tem a ver com a visão popularizada de uma cidade encantada. É, acima de tudo, a imanência de Deus no planeta e seu foco de precipitação. De Shamballa o que é emanado de Deus é captado pela Hierarquia do Quinto Reino (O Ponto de Amor no Coração de Deus), O Centro que faz a intermediação entre Deus e o Centro Humanidade, e que muito provavelmente está situada nos Himalaias. A Hierarquia ou Grande Fraternidade Branca medeia e distribui as “ideias” de Shamballa para “A Raça dos Homens” com vistas a que essa cumpra “O Plano de Amor e Luz” de acordo com a Lei de Ciclos.

Mediante o que foi acima exposto é quase certo afirmar que boa parte do conjunto de ensinamentos que fizeram da Índia o maior CELEIRO ESPIRITUAL de todos os tempos “desceu” dos Himalaias.  E justamente “lá”, no alto de toda aquela imponência aparentemente inabalável as coisas ficaram tremulas, inseguras e frágeis, o que nos faz pensar o seguinte: terremotos são processos geológicos naturais que acontecem devido aos movimentos das placas tectônicas, que feito “balsas” gigantescas flutuam sobre o oceano de magma no interior do planeta. A região dos Himalaias está entre as mais suscetíveis a terremotos, dada a sua “juventude geológica”. Mas é justamente essa dança tectônica que configura o planeta no decorrer das grandes eras geológicas, e tolo quem pensa que a Terra sempre teve a mesma disposição que nos é tão familiar!  Terremotos correm de “dentro para fora” e de “baixo para cima”. O abalo em destaque foi tão “vertical” que mesmo o Everest sentiu o impacto. Isso se explica pelo fato da placa indiana se mover para dentro da placa eurasiana na razão de aproximadamente 5 cm por ano, entretanto, parece que esse avanço não tem ocorrido há alguns anos, o que gerou uma tensão enorme  que acabou  irrompendo bruscamente: segundo cálculos dos mais balizados institutos geológicos do mundo, foram 4 metros de avanço em pouco menos de 30 segundos!  E tudo isso próximo a Katmandu, e o  mais grave: a uma profundidade muito rasa, somente 15 km abaixo da superfície. E pela quantidade de energia acumulada no decorrer dos anos é possível que esse evento tenha sido apenas uma parte do que ainda resta irromper. Fora o sismo principal, dezenas de sismos menores tiveram sequencia em diferentes regiões do Himalaia, o que ampliou ainda mais a dimensão catastrófica do evento.




O Himalaia é o teto espiritual da Terra, embora seja também o lugar no qual seus fundamentos se projetam o mais alto possível para captar as mais puras e elevadas forças supra terrenas. Portanto, nos elevados cimos Himalaios ocorre o encontro entre a matéria em sua máxima elevação e o mundo das ideias, confluência essa que foi balançada e que provavelmente desalinhou padrões estabelecidos naquela região há pelo menos 80 anos. É certo que nossas bases e o nosso “telhado de vidro” estão mais vulneráveis e suscetíveis às transformações inerentes e inevitáveis que sacodem nosso planeta, pois cientes da natureza sistêmica da vida precisamos recordar que somos irmanados por um grande campo de ressonância Psicomórfica que é o somatório de todos os campos, ainda que ultrapasse e inclua todas as partes. E as mais elevadas antenas geofísicas da Terra e do principal foco de precipitação e dispensação energética existente foram abaladas, O QUE TORNA IMPOSSÍVEL NÃO SERMOS AFETADOS.  Outro aspecto relevante tem relação com a liberação de energias telúricas acumuladas por meio dos picos/ponteiras/vértices Himalaios. Isso pode representar um tipo de transmutação de uma parte das forças subterrâneas terrenas, embora o tremor não tenha sido suficientemente grande dentro da escala sismológica ao ponto de ter criado fissuras. Pode ser que tremores mais fortes ocorram nos próximos anos.

O Nepal é um dos berços do Budismo, foi lá inclusive que nasceu Sidharta Gautama, embora as fundações do Budismo enquanto religião esteja mais diretamente relacionada com o Tibet. A quantidade de monumentos religiosos erguidos em nome da Fé e da Devoção seja ao Budismo, seja ao Hinduismo estão entre os mais impressionantes do mundo. As formas que mais se destacam são as “Stupas”, monumentos erguidos em homenagem aos Grandes Bodhisattwas e à mente dos Mestres Budistas, sendo que algumas são edificadas sobre os restos mortais cremados de Lamas e Rimpoches. Stupas são estruturas complexas e muito refinadas,com arquitetura baseada na geometria dos Cinco Elementos. Podem variar de aspecto, embora sempre mantenham a terminação cuneiforme, extremamente eficiente do ponto de vista energético. Os habitantes de toda aquela região fazem Stupas com qualquer material, inclusive com farinha de cevada, a famosa Tsampa. Para aquele povo, erguer qualquer Stupa é um rito de elevação e de sintonização com a Sangha, A Comunidade Espiritual de Seres Perfeitos e Cosmorealizados( Shamballa). No Nepal a profusão de Stupas de todos os tamanhos e tipos nos faz imaginar a enorme dinâmica energética ali concentrada. Mas o Terremoto do dia 25/04 muitas foram destruídas, algumas gigantescas e referencia para a Fé local, contudo, O Himalaia é a maior rede de Stupas natural existente, seus picos majestosos continuaram a funcionar como as antenas geofísicas e etéricas da Terra.






E cremos que agora, em meio a Comunhão de Wesak possamos imaginar seus picos captando as formas pensamentos e as benções do Senhor Buda e de todos os Altos Dignitários da Hierarquia Espiritual Planetária(A Shanga) e distribuindo essas para os demais sistemas de montanhas do mundo, tecendo uma grande rede de Vida-Consciencia capaz de intensificar a atividade de Shamballa junto a humanidade. E que o Povo Nepalês possa se beneficiar com isso e soerguer suas belas Stupas sem perder a Fé que tanto lhes guia e orienta. Um dos mais indeléveis resultados de uma vida que exsuda verdadeira devoção, praticada em tudo e por todos é a capacidade daquela gente poder lidar com as adversidades mais bruscas sem perder a alegria e a empatia por quem quer que seja. E por não nivelarem a felicidade por meio de objetos externos, nem status e nenhuma outra ostentação, os impactos que para nós seriam a ruína em todos os sentidos, para eles é mais uma oportunidade de crescimento a ser vivida com simplicidade, valor e beleza. A Dor existe, claro, pois são humanos e lidam com dificuldades de todas as ordens, com muitas perdas irreparáveis, ainda que por outro lado a dor de um povo ou nação mediante uma tragédia nos faz sair de nossas redomas para prestar, mesmo que em pensamento e em oração, um pouco de HUMANIDADE.
Chegará o dia em que estaremos disponíveis para o Bem Maior sem a necessidade de agentes trágicos e de condições extremas para nos mover nessa direção. E Wesak existe para que essa condição de compaixão e empatia incondicionais se enraíze em nossas fundações.  

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3 comentários:

  1. Oi Marcio é um prazer enorme te encontrar aqui, falando com a Liz disse de como tinha ficado triste por perder o teu contato, agora ela me deu.
    Adorei o texto e foi possível aprender mais um pouco.
    vou seguir teu blog para continuar aprendendo
    Um abraço,
    Avani

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    1. Nossa Avani, saudades de Ti! Nunca me esqueço das nossa aulas, pra mim foi um dos melhores espaços que tive a honra de contribuir. Moro em Petrópolis agora, mas vou ao Rio vez por outra. E você, ainda mora em Teresópolis?

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    2. Nossa Avani, saudades de Ti! Nunca me esqueço das nossa aulas, pra mim foi um dos melhores espaços que tive a honra de contribuir. Moro em Petrópolis agora, mas vou ao Rio vez por outra. E você, ainda mora em Teresópolis?

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