terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A IDADE DE FERRO: KALI YUGA

KALI  YUGA





Saudações Amigos e Companheiros de Jornada!

Selecionamos,dentre tantos textos importantes e significativos,um que certamente já impactou milhares de pessoas e que impactará  quem ainda não o leu. Trata-se de uma pequena passagem de uma das mais importantes obras religiosas da Tradição Sanatana Dharma Hindu: O Vishnu* Purana,um dos 108 Puranas ( livros ) que formam o eixo diretivo do Vedanta (junto aos Upanixades).
Nas páginas dessa valiosa obra existe uma Profecia que descreve,em pormenores,as características mais  da idade então nascitura: A Kali Yuga** ( Idade da Morte,ou Negra,também denominada de Idade do Ferro). 

A razão de postarmos esse texto reside na sua incrível precisão na descrição dos traços mais marcantes da Kali-Yuga, traços  inclinados para a degradação do gênero humano, de tão retrógrados e autodestrutivos. O desfilar explícito de valores e comportamentos nefastos entranhados no comportamento da humanidade atual não é nada inédito ,porém, em nosso presente planetário dispomos de recursos extremamente poderosos para a propagação de várias formas de subversão em escala global, sem as restrições tempo-espacial de outrora. Por ser um ciclo de obscurecimento Espiritual,os perigos são sorrateiros, dissimulados e revestidos com tons de normalidade. Um certo conformismo assume nosso juízo e passamos a legitimar absurdos. 


Devido a prevalência do aspecto forma na Kali-Yuga (culto ao aparente e a materialidade como realidades únicas),cuja inércia imobiliza a psique humana na linearidade e na horizontalidade de uma inteligencia puramente concreta a humanidade criou uma blindagem quase intransponível para as dispensações oriundas dos planos de consciência mais elevados. É interessante notar,não como espectadores,mas como co-participes e seres sujeitos a essa gravidade que muitas das inversões de valores descritas na Profecia moldam grande parte dos nossos juízos e escolhas (Leiam atentamente o trecho em negrito) ,uma vez que formam muito do nosso sistema de crenças coletivo.








Nossa intenção é promover em cada pessoa que se debruçar sobre essas palavras mais responsabilidade quanto a natureza das suas escolhas e intenções,sobre as suas reais motivações e juízos. Por outro lado, não é nossa intenção fazer com que saiamos à propagar esse texto(que é sagrado) como catastrofistas inveterados,pois disso já estamos cheios e disso não carecemos (por nada acrescer). Precisamos sim,refletir de forma imparcial sobre até que ponto não estamos psiquicamente encobertos e condicionados pela disfuncionalidade dessa Era, que tanto nos distanciou do simples e essencial e nos resfriou mediante as Boas Novas do Espírito. Portanto,deverá essa mensagem do Vishnu Purana ter um caráter pró-ativo e reparador no sentido de promover uma reavaliação de conceitos e uma constante observação sobre nosso modo de pensar e agir. Precisamos recorrer às muitas ferramentas legadas pelos Iniciados e Mestres de outrora para que tenhamos competência e habilidade no exercício de superar esse período de grandes provações coletivas. No passado nossas sombras mais profundas eram expiadas dentro de câmaras probatórias,éramos submetidos à árduos ordálios pessoais que colocavam à prova nossa resiliência, honra e fidelidade. Hoje,porém, o mundo em si é a grande câmara expiatória e o maior dos ordálios a ser superado. Para quem tem olhos de ver e coração de sentir,sabe que essa idade densa e resistente estimula a força do espírito ,que por entre as menores brechas faz a sua infinita Luz penetrar e redimir tudo o que ela toca e desperta.


Que possamos,então,fazer da idade de ferro uma idade de superação e de exercício da Vontade, da sabedoria e da Inteligencia que constituem nosso Ser Real,e assim, alinhados com a Grande Obra cumprirmos nosso propósito maior: Reconhecer que somos Deus em Ação e sermos co-criadores de um mundo encimado no Bem,no Belo e na Verdade.


Vishnu Purana:

"Haverá monarcas contemporâneos reinando sobre a Terra, reis de espírito mau e caráter violento, voltados à mentira e à perversidade. Farão matar mulheres, crianças e vacas. Cobiçarão as mulheres dos outros. Terão poder limitado, suas vidas serão curtas e seus desejos insaciáveis. Gentes de vários países, unindo-se a eles, seguirão seus exemplos. E, sendo poderosos os bárbaros, sob a proteção dos príncipes, e afastadas as tribos puras, perecerá o povo. A riqueza (espiritual) e a piedade diminuirão dia a dia, até que o mundo se depravará por completo. A classe será conferida unicamente pelos haveres. A riqueza será a única fonte de devoção. A paixão o único laço de união entre os sexos. A falsidade o único fator de êxito nos litígios. As mulheres serão usadas como objeto de satisfação puramente sensual ( sexual). A aparência externa será o único distintivo entre as diversas ordens de vida. A falta de honestidade, o meio universal de subsistência. A fraqueza a causa da dependência. A liberdade valerá como devoção. O homem que for rico será reputado puro. O consentimento mútuo substituirá o casamento. Os ricos trajes constituirão a dignidade. Reinará o que for mais forte,e o povo, não podendo suportar os pesados ônus (o peso dos impostos) buscará refúgio nos valesAssim, na idade de Kali a decadência prosseguirá sem detença, até que a raça humana se aproxime do seu aniquilamento (Pralaya). Quando o fim da idade de Kali estiver perto, descerá sobre a terra uma parte Daquele Ser Divino que existe por sua própria natureza espiritual (Kalki Avatar). Ele restabelecerá a justiça sobre a Terra, e as mentes que viverem até o fim da Kali Yuga serão despertadas para que se tornem tão diáfanas como o cristal. Os homens assim transformados serão como sementes do verdadeiro homem (Eu Superior)."



A profecia acima ganhou notoriedade quando Helena Petrovna Blavatsky a divulgou em 1888 na sua obra "A Doutrina Secreta",sendo digno de nota que mesmo para o final do século XIX alguns dos eventos descritos no vaticínio soariam exagerados!


Notas::

* Vishnu: Segunda Pessoa da Trimurti Hindu junto a Shiva e a Brahmâ, responsável pela coesão do universo através da Consciência e do Amor. Shiva é a Primeira Pessoa e personifica a Vontade Absoluta do Puro Ser, enquanto Brahmâ se manifesta como Terceira Pessoa através da Inteligencia Universal Criadora. Ambos estão umbilicados à Vishnu. Vishnu é um Princípio de Brahman(Deus) que foi representado aqui na Terra através de alguns Avatares, sendo Krishna o mais conhecido e reverenciado na Índia, mas também se manifestou através de Rama e de Sidharta Gautama, O Buda. Sendo equivalente ao Filho na Trindade Cristã, Cristo também é um Avatar de Vishnu.



 Vishnu, Segunda Pessoa da Santíssima Trinadade Hindu


**São quatro as Yugas: Satya Yuga, Treta Yuga, Dwapara Yuga e Kali Yuga,conhecidas exotericamente como Idades do Outro,Prata,Bronze e Ferro respectivamente. 
 A Idade de Kali começou há 5.000 anos atrás,tendo sido proferida pelo Senhor Krishna antes da sua morte. Foi prevista para durar 432 mil anos no seu ciclo cósmico,e constitui a quarta e mais densa das quatro Yugas. Até agora a profecia se cumpriu, diríamos até com excessos,porém,já se faz perceptível a proximidade de um novo subciclo dentro da grande idade de Kali correspondente a Idade de ouro (Satya ou Kritya Yuga). 
A proximidade de uma idade de ouro provoca abalos profundos nos fundamentos da humanidade, fazendo emergir as sombras escondidas no subconsciente coletivo, desencadeando crises estruturais positivas,posto que uma vez vista a sombra fica mais acessível ao homem poder fazer escolhas menos cegas e impulsivas para fazer escolhas mais conscientes e orientadas para o Bem Maior. 



Senhor Nara-Sinha, O Avatar Leão, encarnação Mitológica de Vishnu, aqui destripando Hiranyakashipu que é a personificação do poder material.

AS VIRTUDES ( PARTE 1)




As virtudes constituem princípios naturais do nosso Eu mais essencial, são qualidades inerentes ao Ser. Não podem ser forçadas, nem impostas ou  adquiridas por meio de votos religiosos ou por práticas artificiais. E, ao contrário do que nos foi ensinado por certas religiões, a pessoa virtuosa é necessariamente boa e feliz, pois as virtudes expressam a ação da Alma,cujas raízes estão fincadas no infinito.
A imagem tradicional da pessoa virtuosa retrata alguém bom, porém, infeliz, cheio de pesar e de culpa, afeta a dor e ao martírio de fazer o bem para ser reconhecida aos olhos de deus, ou então, de reparar seus erros sem dar margem para a dimensão lúdica. Os virtuosos tradicionais se envergonham da felicidade e do prazer, o que é muito contraditório quando as mesmas dizem que deus é amor, bondade e beleza.
As virtudes se misturam, se amalgamam. Uma leva a outra,e por vezes, as diferenças entre elas são muito tênues. Praticá-las é uma questão de agir com a naturalidade do que realmente somos, mas aí, esbarramos numa grande dificuldade: ainda não sabemos quem somos, cremos apenas no aparente, no imediato e no funcional. A essência da dimensão humana entrou para a categoria da fantasia e do quase mítico, tanto é que figuras históricas que vivenciaram as virtudes na sua plenitude foram reduzidas ao mito. Isso é perigoso, pois nos distancia da verdade.
Não é possível discorrer sobre todas as virtudes, mas elegemos três que consideramos fundamentais nesse entre tempo pelo qual passamos, nessa transição de ciclos onde tudo parece estar confundido e invertido.


A Fé remove montanhas. Sim, é verdade, sobretudo as montanhas da dúvida e da mente concreta com seus preconceitos que represam o fluxo natural da atividade incondicional do Puro Ser. Essa atividade incondicional se revela como a capacidade de reconhecer a presença de Deus em cada forma de vida, em cada fenômeno, cada qual com a sua exuberância e singularidade e beleza própria. É também a confiança original de que tudo obedece a uma perfeição que se expressa em leis imutáveis na essência, porém, maleáveis no modo.
A palavra vem do Latim Fides, que significa fidelidade. Para Santo Agostinho a Fé é a força instintiva da Alma que supera as dúvidas e os temores do ego, impulsionando o aspirante rumo à grande Alma Universal. A Fé verdadeira nasce da percepção consciente de uma realidade maior que nos absorve em graça e plenitude, e em nada se assemelha a fé baseada na temência e na fraqueza. Fé consciente é a mais pura e diamantina vontade de revelar o poder do Ser.



 COMPAIXÃO

A Compaixão é uma virtude de pura impessoalidade, mas que exige uma  individualidade plena e completa em si mesma. No estado compassivo o ego cessa a sua atividade compulsória e isolada, pois é um arrebatamento conectivo com algo maior do que o próprio eu. Precisamos ter em mente que o nosso eu ordinário vive ensimesmado, absorvido nos seus afazeres, carências, projeções, busca de prazer e temores. Sempre enxerga o mundo e as pessoas conforme a sua limitada perspectiva pessoal,reduzido aos seus valores e conceitos. Ele vive alheio a tremenda riqueza de informação e beleza que a “Vida da vida” transpira na eternidade de cada momento.
A compaixão nos permite sentir as alegrias e as dores do mundo sem que ambas afetem nossa inteireza, e justamente por isso, nos torna servidores espontâneos, capazes de servir ao Bem Maior incondicionalmente, ou seja, podemos ser uteis varrendo o chão, contemplando uma flor ou fazendo caridade com o mesmo grau de importância e encanto. Podemos perceber a compaixão como um estado de ternura e cuidado, qualidades que estão muito em falta num mundo cada vez mais coisificado e funcional.

 


DESAPEGO

O Desapego  resulta da superação do ego enquanto entidade autônoma e separada. O genuíno desapego é a capacidade de liberar a consciência de tudo que a torna previsível, linear, monocórdia, reativa, violenta e obtusa. São inúmeras as formas de apego: existem os apegos emocionais(possessividade, ciúme); existem os apegos intelectuais(preconceitos, orgulho);e por fim, os apegos de ordem física(bens materiais, conforto). Acima de todos esses reina o apego a auto imagem, que segundo Krishnamurti é a raiz de toda violência e brutalidade. Dentro do escopo do apego a auto imagem temos o apego ao tempo psicológico, outra armadilha do ego para deslocar nossa energia do agora. Em linhas muito resumidas, o apego temporal está baseado nas projeções para o futuro, no por vir; e também, na tentativa de repetir o passado no futuro. Nessa distração passamos pelo tempo e nada aproveitamos.
Os Mestres de todos os tempos afirmam que o remédio para transcender o apego é o serviço, porém, raramente isso é feito voluntariamente. Quase sempre experimentamos o desapego por meio da dor, através de perdas que exigem grande capacidade de superação e abertura para novas possibilidades, isso quando realmente aceitamos a situação,pois é lugar comum reagirmos através da vitimação e da revolta.
 Toda ação quando é praticada com inteireza e consciência da sua importância e da sua impermanência, confere paz e liberdade. Fazer uma refeição é um ato de imensa importância, porém, é efêmero. E por isso mesmo, se realizado com plenitude e intensidade, não pede repetição. Dai o dito “o segundo prato nunca é melhor do que o primeiro”.