quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

CURSO "A PSICOLOGIA E A FILOSOFIA DOS SETE RAIOS"



CURSO "A PSICOLOGIA E A FILOSOFIA DOS SETE RAIOS"



CONHEÇA MAIS SOBRE OS SETE RAIOS ATRAVÉS DOS ENSINAMENTOS DE ALICE BAILEY E DA TEOSOFIA CLÁSSICA.
ENTENDA O QUE SÃO OS RAIOS FORA DA VISÃO EXOTÉRICA.
 SAIBA O QUE É A "PSICOLOGIA DA ALMA", O ASPECTO MAIS IMPORTANTE DOS RAIOS DO PONTO DE VISTA PRÁTICO

O PROGRAMA INCLUI:
-OS RAIOS COMO OS PODERES ARQUITETÔNICOS DO UNIVERSO
-ORIGEM DOS RAIOS
-OS RAIOS NAS TRADIÇÕES DO MUNDO
-OS CICLOS PLANETÁRIOS E OS RAIOS
-MANIFESTAÇÃO DOS RAIOS NA SOCIEDADE HUMANA
-PSICOLOGIA DA ALMA: RECONHECENDO OS RAIOS
-A FISIOLOGIA OCULTA E OS RAIOS
-OS RAIOS NA MEDITAÇÃO, NOS SACRAMENTOS E NA CURA
-A MONUMENTAL OBRA DE ALICE BAILEY E O FUTURO DA HUMANIDADE
-PSEUDO ESOTERISMO E A PROFANAÇÃO DO SAGRADO: COMO RESTITUIR OS ENSINAMENTOS ORIGINAIS?



AULAS PRESENCIAIS OU VIA SKYPE

Contatos: isaelzayash@gmail.com
TEL: 24999679383

 "O HOMEM ESTÁ INFELIZ PORQUE ESQUECEU QUE É FELIZ"
DOSTOIEVSKY


domingo, 20 de julho de 2014

EU!





CERTA VEZ UM SÁBIO DESAFIOU SEUS DISCÍPULOS COM UMA TAREFA TOLA À PRIMEIRA VISTA: QUE DISSESSEM O VERDADEIRO NOME DO SENHOR DO MAL. CLARO QUE SE RIRAM DO DESAFIO, E LOGO CADA UM DESFILOU NÃO APENAS UM NOME, MAS VÁRIOS: SATANÁS, LÚCIFER, ASTAROTH, BELZEBU, DIABO, LEVIATAN, ABBADOM, SAMAEL E TANTOS OUTROS QUE NEM MESMO O PRÓPRIO SÁBIO OUVIRA FALAR. MAS NENHUM DESSES “TÍTULOS” PARECIA SER O VERDADEIRO NOME DO SENHOR DO MAL. MUITO TIMIDAMENTE UM APRENDIZ QUE SE MANTEVE QUIETO O TEMPO TODO OBSERVANDO SEUS ERUDITOS COLEGAS DESFILANDO TODO O PANTEÃO DO MAL, LEVANTOU O DEDO E DISSE: “EU”. O MESTRE DEU O DESAFIO POR ENCERRADO.

sábado, 19 de julho de 2014

O SENHOR DOS SENHORES!





ASSIM ESCREVEU UM SÁBIO SUFI:

“EM NOME DO EGO DE TODOS OS MILHÕES DE SERES HUMANOS DESSE MUNDO, EU DIGO: EU SOU O MELHOR, EU TENHO SEMPRE RAZÃO, MINHA VERDADE É A MAIOR, MEUS BENS SÃO OS MELHORES, MINHA SABEDORIA É MAIOR, MEUS FILHOS SÃO OS MELHORES, EU SEMPRE TENHO RAZÃO, O OUTRO ESTÁ SEMPRE ERRADO, EU ESTOU SEMPRE CERTO, NINGUÉM FAZ MAIS DO QUE EU, NINGUÉM FAZ MENOS DO QUE EU, MINHA DOR É MAIOR, MEU SOFRIMENTO É MAIOR, MINHA RELIGIÃO É A MELHOR, MEU MESTRE É O MELHOR, MINHA CONSCIÊNCIA É MAIOR, MINHA DOR É MAIOR, EU SEI, EU SEI, EU SEI, EU SEI, EU SEI, EU SEI...”

Muitos nomes...um único ser!






DIABO, O CAPETA, O CAPIROTO, SATANÁS, O DEMÔNIO, O CÃO, O QUE RI DE LADO, O COXO, O SONSO, O PADRE DE SAIA, O DUBÁ DUBÁ, O COISA RUIM, “AQUELE”, O SENHOR DA ENCRUZA, O DEMO, O BODE, O ESQUISITO, O QUE NÃO PISCA, O PÉ DE BODE, O SOMBRIO, O DO MAL, O CRAMULHANO, O CHIFRUDO, O CARRAPATO, O QUE SUSSURRA, O INTRIGUENTO, O PAI DO JUDAS, O SEM ANJO DA GUARDA, BELZEBU, O TREVOSO,O MENTIROSO, O LADRÃO DAS ALMA, O ESPINHENTO, O INVEJOSO, O QUEBRA-CRUZ, O RISONHO, O CABRUNCULO, O ZÉ PEÇONHA, O INDECENTE, O LÚCIFER, O DRAGÃO DO MAL, O BAFENTO, O QUE ANDA “PRA TRÁS”, O COSPE FOGO, O ESPANTA CARRANCA, O NEGRINHO, O CAPA PRETA, O ESCONDIDO,O UNHA PRETA, O ANJO SEM ASA, O RABUDO, O ROUBA HÓSTIA, O OLHO NEGRO, O DE VERMELHO, O TRÊS PERNA, O CAÍDO, AQUELE QUE DÁ COM UMA E TIRA COM A OUTRA, O SEM LUZ, O DESBOCADO, O DEBOCHADO, O DAS PROFUNDEZA, O PÉ DE PATO, O ENXOFRENTO, O DA CARTOLA...UFA! EU NÃO SABIA QUE O EGO TINHA TANTOS NOMES!!! 








sexta-feira, 4 de julho de 2014

SEJA UM BURRO!!!

SEJA UM BURRO!!!!




ANTES QUE VOCÊ RESOLVA NÃO LER ESSE ABSURDO APARENTE(MAS COMO TODO ABSURDO CHAMA ATENÇÃO E ATIÇA A CURIOSIDADE, CREMOS QUE  NINGUÉM DEIXARÁ DE DAR UMA CONFERIDA, NÃO É MESMO?), VALE A PENA, PELO MENOS DESCOBRIR A RAZÃO PARA UM TEMA TÃO...CURIOSO.

SEM SERMOS CHATOS, PROLIXOS, REPETITIVOS, ETC, VAMOS AO PONTO: O MALSINADO BURRO, SIM, NOSSO PACATO E CABISBAIXO SERVO DE CARGA E EMBLEMÁTICO SÍMBOLO DA FALTA DE INTELIGENCIA DEVE ENTRAR PARA O PANTEÃO DOS ANIMAIS MAIS SAGRADOS; E GARANTO QUE UM DIA ELE JÁ FIGUROU ENTRE OS MAIS NOBRES REPRESENTANTES DO SEU REINO. MAS POR QUE LOGO ELE, ÍCONE DA MENOS VALIA E USADO PARA OFENDER E ESCARNECER QUEM DER A MENOR ESCORREGADA NA GRAMÁTICA, OU QUEM NÃO CUMPRE A OBRIGATORIEDADE ARBITRÁRIA DE TER QUE SABER O QUE “TODO MUNDO SABE”?

POIS É, SIM, O NOSSO BURRO/JUMENTO DE TODAS AS LABUTAS E OFENSAS, MALTRATADO PELO RECHAÇO ERA UM SÍMBOLO DE COMO O EGO DEVERIA SER: TER ORELHAS GRANDES PARA AUSCULTAR A CONSCIÊNCIA PURA COM HUMILDADE, SEM REAGIR COM SEUS CONTEÚDOS ACUMULADOS. POR ESSA RAZÃO, VEMOS O BURRO EM ALGUNS HIERÓGLIFOS EGÍPCIOS DANDO MONTARIA PARA FARAÓS E INICIADOS, E NÃO É POR ACASO QUE JESUS É DESCRITO MONTADO SOBRE UM JUMENTO, NÃO SOBRE UM PURO-SANGUE. ISSO SE DEVE, NÃO APENAS PELAS ORELHAS, MAS PELA RESISTÊNCIA INIGUALÁVEL DESSES ANIMAIS, MAIS CAPACITADOS PARA TRANSPORTAR CARGAS POR LONGAS DISTANCIAS E TERRENOS ACIDENTADOS DO QUE OS CAVALOS. E A CARGA AQUI É INTENSIDADE DO ESPIRITO.







AS ORELHAS GRANDES DO BURRO SÃO EMBLEMÁTICAS DE QUEM SABE OUVIR, E COMO DIZIA SÃO BERNARDO “SE QUERES VER, ENTÃO OUÇA”. ALGUÉM POR ACASO JÁ REPAROU QUE AS ORELHAS DO BUDA SÃO SEMPRE GRANDES (PARA BAIXO, É VERDADE, MAS SEMPRE GRANDES)? ISSO PORQUE NO BUDISMO ORELHAS GRANDES SIMBOLIZAM SABEDORIA. JIDU KRISHNAMURTI DIZIA QUE O QUE MENOS SABEMOS FAZER É OUVIR, POIS ISSO REQUER MUITA ENERGIA E PRESENÇA. AUSCULTAR SEM REAGIR, APENAS SABOREAR A INFORMAÇÃO SEM COMPARAÇÃO, SEM CONCORDAR E SEM DISCORDAR AUTOMATICAMENTE REQUER UMA FORÇA PRESENCIAL SEM PARALELOS. RARAMENTE PERMITIMOS QUE AS INFORMAÇÕES ABSORVIDAS "DE FORA" SEJAM "LIDAS" PELO "PENSADOR SUPERIOR", QUE É A PRÓPRIA ALMA, O SELF. E É NA CAPACIDADE DE AUSCULTAR E SORVER A INFORMAÇÃO QUE RESIDE O PRINCÍPIO DA AÇÃO PELA NÃO-AÇÃO, O AGIR PELO NÃO-AGIR.






QUANDO NÃO INTERFERIMOS NO PROCESSO DE RECEPÇÃO, A PRÓPRIA INFORMAÇÃO SE REVELA COMO UM PODER DINÂMICO  CAPAZ DE SE TRADUZIR PARA NÓS DE ACORDO COM NOSSAS RESPECTIVAS CAPACIDADES. INFORMAÇÃO VEM DE IN-FORMARE, O QUE FORMA/CONSTRÓI  POR DENTRO(OU DE DENTRO). INTERESSANTE REPARAR QUE QUASE TODAS AS PESSOAS QUE ESTIVERAM NA PRESENÇA DE GRANDES MESTRES DESCREVEM A PAZ  EXPERIMENTADA NA PRESENÇA SILENTE DESSES, NA INVESTIDURA DO SILENCIO, ESSES GRANDES MESTRES  EXTRAÍAM A SABEDORIA VIVA DE DEUS, SEMPRE DISPONÍVEL PARA QUEM ESGOTOU O EGO E ESTÁ COM O RECIPIENTE "CHEIO DE ESPAÇO" PARA SER PREENCHIDO. PAUL BRUNTON RELATA DE MANEIRA  MUITO COMOVENTE COMO FOI O SEU ENCONTRO COM RAMANA MAHARISHI; " APÓS TANTAS HORAS NA PRESENÇA DAQUELA FIGURA APARENTEMENTE FRÁGIL E ESTÁTICA,  UMA PAZ INDESCRITÍVEL SE APODEROU DE MIM. SEM QUE ELE TIVESSE PROFERIDO UMA PALAVRA SEQUER ME SENTI INVADIDO POR UMA VERDADE DIFÍCIL DE SER DESCRITA, TÃO PROFUNDA, TÃO SIMPLES, TÃO ARREBATADORA, TÃO INTANGÍVEL, E AINDA SIM, MAIS CONCRETA DO QUE QUALQUER SENSAÇÃO FÍSICA. QUANDO ELE ABRIU SEUS OLHOS OS MESMOS PARECIAM QUE FITAVAM O INFINITO, OU QUE ELE HAVIA IMERGIDO NAS ESTRANHAS DO UNIVERSO E REGISTRADO TODA A GRANDEZA DA SUA JORNADA NAQUELE OLHAR(...)".



Ramana Maharishi


REPAREMOS NAS CONVERSAS: SÃO FALATÓRIOS EGOÍSTICAMENTE CENTRADOS, "VERBORRÉIAS" E "INCONTINÊNCIAS" ORAIS  NAS QUAIS CADA UMA DAS PARTES RARAMENTE ESTÁ INTERESSADA NO QUE A OUTRA TEM PARA COMPARTILHAR. DEPOIS NINGUÉM ENTENDE A RAZÃO DOS TERAPEUTAS FAZEREM TANTO SEM QUASE NADA DIZER! SIM, MUITAS VEZES, EM NOSSAS DORES E CARÊNCIAS QUEREMOS SOMENTE UM OUVIDO AMIGO QUE NÃO INTERFIRA NA NOSSA CATARSE,  OU QUE PERMANEÇAM QUIETOS SEM PROFERIR SENTENÇAS BASEADAS NAS EXPERIENCIAS PESSOAIS. AO QUE APRENDE A AUSCULTAR O OUTRO EM SUAS CARÊNCIAS.

QUANDO LEMOS A EXPRESSÃO “DAR A OUTRA FACE” É POSSÍVEL QUE A MESMA QUEIRA DIZER O SEGUINTE: “DAR O OUVIDO PARA AQUILO QUE É DIFERENTE DO QUE SABEMOS”, NÃO POR CONVENIÊNCIA OU FORMALIDADE, SENÃO POR INTERESSE REAL. ORELHAS GRANDES TAMBÉM SUGEREM OUVIR ALEM DO APARENTE, DO SIMBOLO, DA "LETRA MORTA". FICAMOS A IMAGINAR O QUANTO DESPERDIÇAMOS DE INFORMAÇÃO, DE CONSCIÊNCIA E ENTENDIMENTO POR NÃO SABERMOS OUVIR, POR ESTARMOS CERRADOS EM NOSSOS PRÓPRIOS AUDITÓRIOS LOTADOS COM NOSSOS EUS ,TODOS CHEIOS DE RAZÃO E IMPORTANTES. ALIÁS, DIGA-SE DE PASSAGEM QUE O EXCESSO DE AUTO-IMPORTÂNCIA E O NARCISISMO(DOENTIO EM NOSSA SOCIEDADE) SÃO PERIGOSOS OPONENTES DA VERDADEIRA APRENDIZAGEM E SABEDORIA, SEM FALAR QUE ISOLA O INDIVIDUO PARA RELAÇÕES VERDADEIRAMENTE EMPÁTICAS E CONSTRUTIVAS..

PRECISAMOS EXPANDIR NOSSAS CAPACIDADES COGNITIVAS, METACOGNITIVAS, SUPRACOGNITIVAS E SENSORIAIS SENDO BURROS, COMO FORAM OS GRANDES MESTRES E SÁBIOS, QUE POUCO FALAVAM E MUITO SORVIAM DA SABEDORIA EMANADA E CONTIDA NA VIDA, VIDA ESSA QUE É A PRÓPRIA TRANSPIRAÇÃO DA SABEDORIA DE DEUS. FOI DITO: “DE QUE ADIANTA VER SE NÃO SABEMOS O QUE VEMOS?”. QUANDO OS MESTRES IRROMPEM O SILENCIO (QUE  É A VOZ DE DEUS, DA MESMA FORMA QUE O ESPAÇO É O SEU CORPO) SUAS PALAVRAS SÃO DOTADAS DE TAMANHO PODER DE REPARAÇÃO E ENTENDIMENTO QUE PARA NÓS SOAM COMO DIVINAS, NÃO PERTENCENTES AO NOSSO RASO E RALO CAMPO DE ATIVIDADE CONSCIENCIAL. FOI ISSO QUE PAUL BRUNTON PERCEBEU JUNTO AO MAHARISHI. 



NORMALMENTE OS PIORES OUVINTES SÃO AQUELES QUE AUTOMATICAMENTE, SEM O MENOR INTERESSE E GENEROSIDADE PERANTE A FALA ALHEIA RETRUCAM COM O MURCHANTE “EU SEI”.  SIM, O "EU SEI"  NA IMENSA MAIORIA DAS VEZES É O CARTÃO DE APRESENTAÇÃO DO ARROGANTE IGNORANTE. VAMOS REFLETIR: MESMO QUE JÁ TENHAMOS ALGUMA NOÇÃO SOBRE UM DADO ASSUNTO, DIFERENTES PESSOAS CONTEMPLAM E INTERAGEM COM UMA MESMA SITUAÇÃO OU EVENTO PERCEBENDO ANGULOS DIFERENTES, EMBORA COMPLEMENTARES.
ESSA É A BELEZA DA DIVERSIDADE E O SENTIDO DAS RELAÇÕES, POIS VER DIFERENTE NÃO SIGNIFICA DISTINÇÃO, ANTES, COMPLEMENTAÇÃO.

SABER OUVIR O OUTRO É UMA FORMA DE GENEROSIDADE, MAS É EVIDENTE: TUDO OBEDECE A LEI DE SENTIDO DE PROPORÇÃO, PORTANTO, NÃO ESTAMOS FALANDO DE EXCESSOS E NEM DE CORDIALIDADE FORÇADA. O FATO É QUE TEMOS MUITO QUE APRENDER QUANTO A ARTE DE AUSCULTAR, SEJA EM RELAÇÃO AO NOSSO SEMELHANTE,SEJA EM RELAÇÃO ÀS OUTRAS FORMAS DE VIDA, POIS QUANTO MAIS LIVRES SOMOS DO QUE SUPOMOS SABER OU CONHECER, SOLTOS DE IDEIAS FIXAS MAIOR É A NOSSA CAPACIDADE DE GERAR INTERAÇÕES CRIADORAS COM A VIDA. NÃO TRANSFERIR OU REAGIR COM NOSSAS IDEIAS SOBRE O OBSERVADO É O GRANDE SEGREDO PARA VERDADEIRA APRENDIZAGEM...E PARA A SAPIÊNCIA.

QUANDO NOS DESPOJAMOS DA NECESSIDADE DE OSTENTAR QUALQUER FORMA DE AUTO-AFIRMAÇÃO E ABANDONAMOS A POSTURA OFENSIVA FRENTE AO QUE DEUS PODE ESTAR QUERENDO NOS ENSINAR ATRAVÉS DE SI MESMO NO OUTRO ,É CERTO QUE ESTAREMOS CAMINHANDO PARA A VERDADEIRA SABEDORIA, QUE SE REVELA SOB OS MAIS DIFERENTES MODOS E DE FORMA MUITO ESPONTÂNEA.  

INTERESSANTE NOTAR QUE QUANDO CHAMAMOS ALGUÉM DE "BURRO" É PORQUE A PESSOA NÃO "SABE" ALGO QUE É APARENTEMENTE "ÓBVIO", "EVIDENTE", "CLARO", "REDUNDANTE" E ASSIM POR DIANTE. MAS É PRECISO TER CUIDADO COM ISSO, AFINAL VIVEMOS NUM UNIVERSO DE POSSIBILIDADES INESGOTÁVEIS. E NÃO SABEMOS ATÉ QUE PONTO A "INFERIORIDADE ALHEIA" NOS BENEFICIA DE ALGUMA FORMA, OU ENTÃO, DEIXA NOS SATISFAZ PARA TRIPUDIAR O OUTRO E ASSIM ABAFAR ALGUM COMPLEXO PSICOLÓGICO DE INFERIORIDADE.
É MUITO COMUM, POR EXEMPLO, PESSOAS DOTADA DE MUITA INTELIGENCIA INTELECTUAL DEPRECIAR PESSOAS QUE NÃO TENHAM ESSA LINHA DE INTELIGENCIA "DESENVOLVIDA", EMBORA ESSAS POSSAM SER MAIS RESPONSIVAS E HABILIDOSAS NAS LINHAS ESPIRITUAL, MORAL E EMOCIONAL. É CONSTANTE TAMBÉM AS PESSOAS SE ESCUDAREM NO "SENSO COMUM" PARA VALIDAR SUAS OPINIÕES E DESMERECER QUEM NÃO AS COMPARTILHE, E ISSO VALE PARA TODOS OS SENSOS COMUNS, DESDE CRENÇAS INFANTIS DO PONTO DE VISTA RELIGIOSO ÀS MAIS COMPLEXAS E REFINADAS TEORIAS CIENTIFICAS.

QUANTO MAIS ENVOLTOS EM NOSSA PRESUNÇOSA SAPIÊNCIA "MANUFATURADA" ESTIVERMOS, MAIS BLOQUEAMOS A MANIFESTAÇÃO DA "AUTO-CULTURA", E O QUE VEM A SER "AUTO CULTURA"? É A CAPACIDADE DE SABER LIDAR COM AS MAIS DIFERENTES SITUAÇÕES E PROVAÇÕES COM CLAREZA, COMPREENSÃO, ADAPTABILIDADE  E DISCERNIMENTO. A AUTO CULTURA NOS MOSTRA QUE DETERMINADAS SITUAÇÕES, EXPERIENCIAS E EVENTOS NÃO PODEM SER INTERPRETADOS E COMPREENDIDOS  COM O CONHECIMENTO MERAMENTE CONCEITUAL. ELA NÃO É "MEMÓRIA" NO SENTIDO FUNCIONAL DO TERMO E MUITO MENOS RESULTA DA EXPERIENCIA DUALISTA. ELA É ENTENDIMENTO PURO E IMEDIATO QUE GERA AÇÃO INTELIGENTE E HARMÔNICA. PODEMOS, PORTANTO, DEFINIR AUTO CULTURA COMO UMA EXPRESSÃO DA SABEDORIA INTERNA ,DIFERENTE  DA CULTURA EXTERNA ACUMULADA, QUE MAIS SE ASSEMELHA A RETALHOS SOLTOS A PROCURA DE UMA TECELÃ PARA UNI-LOS.


A AUTO CULTURA NÃO PRODUZ PESSOAS "CULTAS" NO SENTIDO USUAL DA PALAVRA,MAS ANTES, PESSOAS PROFUNDAMENTE COERENTES, CHEIAS DE TEMPERANÇA, CALMAS E DOTADAS DE GRANDE PODER DE SÍNTESE. PARA UM OBSERVADOR IMEDIATISTA E CHEIO DE CULTURA ADQUIRIDA, ALGUÉM ORIENTADO PELA AUTO CULTURA PODE ATÉ SER UM "BURRO", UMA PESSOA INCULTA E SIMPLÓRIA.

A AUTO CULTURA É A FLORAÇÃO DA QUINTESSENCIA VIVENCIAL, E UMA VEZ ATIVA NOS ORIENTA NA DIREÇÃO CORRETA DOS CONHECIMENTOS, RELAÇÕES E PRÁTICAS MAIS ADEQUADOS E ESSENCIAIS AO NOSSO PROGRESSO. LIDA BEM COM EVENTOS IMPREVISIVEIS  NA RAZÃO DE SER  INTELIGENCIA PURA, NÃO PROGRAMADA. A AUTO CULTURA NÃO PODE SER ADQUIRIDA POR MEIO DE TÉCNICA, AINDA QUE O RAJA E O JNANA YOGAS, POR EXEMPLO, PRIMAM PELO SEU CULTIVO E DESPERTAR. ESSAS LINHAS DE YOGA TRABALHAM PARA QUE A MENTE INTELECTUAL SEJA ILUMINADA PELA MENTE PURA. DESSE MODO, O INTELECTO PASSA A SER UMA BASE/FUNDAÇÃO DOTADA DE DISCERNIMENTO E CLAREZA PARA A EXERCÍCIO DE UMA EXISTÊNCIA MATERIAL ALINHADA COM A VIDA INTERNA.

ALGUNS SÁBIOS DIZEM QUE AC SIMPLESMENTE "ACONTECE" CONFORME AMADURECEMOS PSICOLÓGICA E ESPIRITUALMENTE. MUITOS CHAMARIAM ESSE "ESTADO" DE "INTUIÇÃO", AINDA QUE  ESSA ESTEJA UM PATAMAR ACIMA.
DE QUALQUER MODO, A AC É O PRIMADO PARA A INTUIÇÃO, QUE É A VISÃO DA ESSÊNCIA POR TRÁS DA APARÊNCIA E A SABEDORIA PURA, NÃO PRODUZIDA NO TEMPO(SOBRE ISSO FALAREMOS EM OUTRO TÓPICO NESSE MESMO BLOG).

RESUMO DA ÓPERA: O LORDE BURRO NOS CONVIDA PARA ASSISTIR  A INCOMENSURABILIDADE DA VIDA E PERMITIR QUE ELA NOS ENSINE E NOS CONDUZA. NOSSO BURRO PEDE, ENQUANTO TOTEM E "ANIMAL DE PODER" QUE SEJAMOS PACÍFICOS E PACIENTES PARA QUE SAIBAMOS RECONHECER E NOS CONTENTAR COM AS CARGAS QUE A VIDA DEITA SOBRE O NOSSO DORSO; POIS AS CARGAS POSTAS POR ELA, DIFEREM E MUITO DAQUELAS QUE ACUMULAMOS POR NOS POSICIONARMOS ACIMA DA CRIAÇÃO.

ASSIM DISSE UM SÁBIO: "SOU LIVRE DE TUDO QUE CONHEÇO E PRESO A TUDO QUE IGNORO". PERFEITO.

FORA ISSO TUDO, VAMOS COMBINAR: O BURRO É BEM SIMPÁTICO, NÃO É MESMO?



segunda-feira, 16 de junho de 2014

O Karma: A Lei do equilíbrio (Parte 1)

UMA VISÃO SOBRE O KARMA: PARTE 1

A palavra Karma deriva do sânscrito KRI - fazer. Toda ação, seja de que natureza for é Karma. Tecnicamente esta palavra quer dizer: os efeitos das ações. Metafisicamente é usada como "os efeitos gerados por nossas ações anteriores". No Ocidente, os Iniciados do Antigo Egito reconheciam o karma sob o nome de Lei de Causa e Efeito, uma das sete Leis de Hermes Trismegisto-Thoth. Também é conhecida como Lei de Ação e Reação.
Falar sobre Karma é difícil, posto que a palavra por si mesma se tornou  malsinada por evocar sofrimento, punição, dor e castigo, embora o entendimento dos orientais não seja exatamente assim. Swami Vivekanada na sua breve porém excelente obra "Karma Yoga" discorreu de forma magistral sobre o assunto, e por essa razão elegemos alguns trechos que consideramos essenciais pela clareza , profundidade e simplicidade com explana, típico dos Grandes e verdadeiros Sábios Iniciados. 
Diz Vivekananda: "O propósito do homem não é gozar, mas sim conhecer. A felicidade, assim como as outras coisas passageiras, tem o seu fim. É um erro supor que estamos aqui para gozar ou fazer da vida uma incessante busca de prazer. O motivo da miséria e infelicidade do homem está no fato dele achar que a meta da vida é gozar os prazeres do mundo. Depois começa a compreender que tanto o prazer como a dor são os seus mestres. Se não aprender pelo bem, aprende pelo mal.
O desfilar do prazer e da dor ante sua alma lhe sulca diferentes traços, e estas impressões combinadas formam o seu caráter. Se considerarmos o caráter de um homem, notaremos que ele nada mais é do que um agregado de suas tendências (no Budismo, estas tendências são conhecidas como Skhandas), a soma das inclinações de sua mente e veremos que a desgraça e a infelicidade são fatores equivalentes na formação de seu caráter.
Em seus efeitos sobre o caráter o Karma é o poder maior que o homem tem que enfrentar. O homem é um centro que atrai para si todos os poderes do Universo e, uma vez reunidos, os emite novamente numa poderosa corrente. Este centro é o homem real, o onipotente, o onisciente, e atrai a si tudo o que lhe for correspondente. Bem e mal, felicidade e miséria, tudo corre para ele e se reúne ao seu redor, modelando a poderosa corrente das tendências que formam o seu próprio caráter e as atira para o exterior. Assim como tem o poder de atrair, também tem de emitir.
Somos responsáveis pelo que somos e podemos nos converter naquilo que gostaríamos de ser. O que somos agora é resultante de nossas boas ou más ações passadas. Devemos atuar bem no presente, a fim de modelar bons resultados para o futuro que está por vir. Entretanto, não devemos nos apegar ao futuro para agir em harmonia, pois o agir correto é uma virtude que deve ser praticada independentemente do tempo psicológico. Direis: "Qual é a utilidade de aprender a atuar? Cada qual faz como quer?" Porém, não devemos desperdiçar nossas energias. Falando sobre Karma, o Bhagavad Gita diz que devemos executar o trabalho ou qualquer outra ação (que não deixa de ser trabalho) sem identificação, sem apego, pois no momento em que nos apegamos, criamos uma dependência psicológica e, para desatar o laço desse apego, temos duas possibilidades: a reta compreensão ou a dor".
A ação nada mais é do que a exteriorização do poder da mente que já existia nela. O poder está dentro de cada homem, da mesma forma que o conhecimento. As ações são golpes que o despertam e fazem-no surgir.
A Doutrina Sanatana Dharma Hindu ensina que o karma se manifesta de três modo logicamente interligados. Um modo é o Sanshita Karma, que é o karma acumulado, seja de vidas, ou de experiencias recentes(como um reservatório). Já o Prarabhda Karma é o Karma “maduro”, ou a porção do karma acumulado “selecionada” para ser vivenciada. Por fim, temos o Karma Kryamana, gerado a todo instante.






Existe Karma porque o homem necessita de experiências, precisa de estímulos externos  que façam aflorar seu potencial racional e o seu poderio criativo. E independente das suas escolhas ou das motivações que o compelem, o moto é o mesmo: amadurecer e tornar-se senhor de si mesmo. 


KARMA E DESEJO

Conforme ilustram os orientais, o desejo é como as velas de uma nau, sem as quais essa não se move. Ele é fundamental, todavia, conforme a Alma ascende a patamares mais elevados de consciência, assume o comando da nau (ego), e o desejo até então egoísta, autocentrado e quantitativo perde "combustivel" por  força de aspirações mais elevadas e refinadas,  orientadas para a vida inter e transpessoal
Alice Bailey menciona a "Crise de orientação" como o momento em que a Vida Interna infunde a sua Presença na personalidade. Essa infusão de Vida-Consciencia afeta, sobremaneira, a estrutura personal,que sofre reajustes sequentes para que possa suportar e conduzir a Qualidade da Alma na forma. E o desejo tende a ser o principio imediatamente reorientado dada a sua força volitiva. Se ele já não responde com tanta paixão e gravidade aos objetos de estimulo irresistíveis ao homem comum, isso indica que é possível usa-lo para dentro, e isso significa, justamente, transforma-lo em Aspiração.
 Dizem que o desejo é a vontade do ego, e a vontade é o desejo da Alma. A diferença entre ambos é que a Vontade(dentro de uma perspectiva espiritual) é Ação Pura que se manifesta como direção correta e coerente com o RITMO DO PURO SER. Já o desejo é uma pulsão orientada para a auto-satisfação, que exerce uma função importante até certa etapa da evolução biológica e psíquica, embora se torne um estorvo em fases ulteriores, onde ele deve dar lugar para formas mais evoluídas de vinculação e empatia. 
Mas para nós, a maioria de nós, não importa o desejo: se não for satisfeito, bem sabemos os resultados da frustração. O problema do desejo não é ele por si mesmo, afinal,  é um principio, uma força da natureza. A problemática está na forma como lidamos com ele. Um exemplo é o desejo "artificial", aquele que é induzido, que não "acontece" naturalmente (já nem sabemos mais o que é isso). Somos bombardeados por todo tipo de estimulação, sobretudo visual, e se estamos "quietos" ,logo nos flagramos alterados e vulneráveis. Havendo um minimo de saúde psíquica é possível não se envolver com a "possessão" do desejo em razão do próprio ser extremamente efêmero(e por esse motivo se investe tanto em propagandas repetidas ao extremo). 
Se soubéssemos que grande parcela do karma acumulado(que pesa sobre nós feito uma corcunda) é gerada por desejos induzidos, certamente ficaríamos mais atentos às movimentações compulsórias da mente periférica, a mesma que julgamos ser "racional" e o máximo e o pilar da evolução, embora não passe de uma regurgitação mecânica de memórias e pulsões.
Fica aqui, portanto, a primeira lição do nosso estudo sobre o Karma: observar nossas motivações, investigar de que lugar surgem nossos desejos e ponderar se vale a pena satisfaze-los. Afinal, em nome do desejo,milhões de vidas são ceifadas a todo instante, vinculos doentios e potencialmente destrutivos são criados. E nós, trôpegos em nossa presunção biológica quedamos nas mais baixas e vis paixões, hábitos e necessidades. Vale a pena? 
Na segunda parte vamos falar sobre os tres modos do Karma, o Dharma e o Karma coletivo.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A Hierarquia dos Anjos e a Humanidade (revisado e ampliado)

A HIERARQUIA DE ANJOS E A HUMANIDADE (Parte 1)





Todas as tradições Místico-Religiosas do mundo concordam sobre a existência de seres responsáveis pela intermediação entre o Plano de Deus e o Universo manifesto. Para os hindus, a totalidade desses seres é chamada de Reino Dévico (da raiz Div, brilhante, donde se origina Deva), para a tradição mística persa são os Djinas (gênios), enquanto que para as tradições Judaico/Cristãs são os Anjos (de Angelus, mensageiro). Genericamente são cunhados como “Deuses”, e na antiguidade quase toda aparição de ordem celestial era interpretada como angelical. Claro que nem sempre isso condizia com a realidade...

Segundo a Teosofia (baseada na Gupta Vidya Védica) os Anjos conformam um Reino da Natureza à parte, que segue uma linha evolutiva distinta, porém, paralela à Humana. Esses dois Reinos se diferenciam no que tange ao seus respectivos propósitos dentro do esquema evolutivo Divino: Enquanto que a corrente Humana segue o caminho do livre-arbítrio  e da racionalidade (submetida ao karma),  o Reino Dévico obedece aos ditames Divinos, dotado de uma inteligência servil às idéias matrísticas que geram a natureza visível e invisível da vida. São obreiros, mediadores, artesãos da forma, mantenedores dos princípios e dos fenômenos da engrenagem existencial. Na tradição Cabalística são os reguladores da "Seiva Divina" (Inteligência Criadora) que flui pela Árvore da Vida (nosso universo em sua conjunção de planos de consciência/dimensões). 


Como é um tema  vasto e complexo, não vamos sair do permitido para uma introdução. Mas é importante fazer uma observação:  A Hierarquia Devica/ Angelical é vastíssima e em grande parte desconhecida. O que se sabe em meio aos ensinamentos mais profundos legados pela Teosofia, é que algumas das Entidades mais elevadas desse Reino são "emanações" da "Mente Divina", ou seja, não vieram de um ciclo evolutivo de "involução e evolução", mas antes, foram "projetadas" pela Mente Divina para agirem como seus imediatos na sustentação e direção do Plano Maior(sobre o qual falaremos em tópico futuro). Outra informação revelada por Alice Bailey na monumental obra "Tratado Sobre o Fogo Cósmico", diz que existem os Devas Solares( que vivem na contra parte etérica do Sol) e os Devas Extra-Solares,pertencentes a outras Estrelas, nomeadamente Sirius e Arcturus. Essa esplendida Hierarquia, apesar de parecer distante da nossa realidade imediata, é a responsável pela ordem e pelo equilibrio de todo o sistema sideral no qual vivemos.  São essas potencias que equalizam as tremendas forças que circulam pelo universo para que atuem sobre sistemas ainda frágeis e em formação, permitindo que os Poderes Cósmicos de Fohat(Eletricidade primordial, vontade) e Kundalini(Fogo Criador, atividade) galvanizem as Ideias e a substancia Puras que servem de base para a manifestação do MahaPrâna (Consciência que vitaliza, Coesão).




Representação de um Deva


Cabe esclarecer que a palavra DEVA possui um significado muito amplo dentro do Hinduísmo, e tanto é empregada para designar os Anjos propriamente ditos como também os espíritos da natureza.  É um adjetivo comum para expressar uma gama muito vasta de "Deuses" maiores e menores. Por exemplo: Pensemos numa majestosa e everéstica Sequoia. Essa Arvore colossal surgiu de uma Ideia da Mente Divina e foi obrada por hostes de espíritos da natureza que respondem, desde a consubstanciação atômica da mesma, até às suas cores e demais características. Pois bem, existem "Deuses" que são a manifestação da "Ideia Sequoia" (ou orquídea/ouro/diamante,etc), algo como uma forma-pensamento que guarda em si todos os códigos formativos da espécie. Esse Deus/Deva da Sequoia pode ser visto abrangendo toda uma floresta de Sequoias, com uma réplica em cada membro. A esse Deva vários espíritos da natureza estão subordinados, cooperando para que aquela espécie possa existir como manifestação da Ideia original e do Arqui-Deva que abrange todo Reino Vegetal. 






Sobre os espíritos da natureza cabe esclarecer muito resumidamente que esses pertencem a mesma linha evolutiva dos Anjos/Devas Maiores,e na verdade, todo Anjo foi um elemental, de modo que todo elemental caminha para se tornar um Anjo/Deva Maior. Os espíritos da natureza são as forças operacionais dos elementos, quase que a Alma desses. São forças coletivas submetidas aos seus regentes Devicos Superiores; e para cada região/hemisfério do planeta assumem formas distintas, ainda que a "qualidade" do observador determine como são vistos(isso para quem é dotado da visão apropriada). 

Os ensinamentos teosóficos postulam que os Reinos da Natureza são "escolas" que proporcionam diferentes níveis de aprendizagem para que as Monadas* em evolução alcancem o máximo de consciência, domínio e realização que cada escola possibilita. Atingido o nível máximo de complexidade e resposta possível num dado Reino, a Monada transmigra para o seguinte levando o anterior no seu interior . A evolução sempre transcende e inclui as formas e princípios anteriores. As especies mais esmeradas, belas e complexas de cada Reino são os seus representantes mais evoluídos, de modo que os cristais são para o Reino Mineral o que um Buda é para o Reino Humano. O mesmo vale para os grandes carvalhos, sequoias e orquídeas(dentre outros) no Reino Vegetal. 

Quando a Monada migra para o Reino animal  ela se depara com sete linhas/ bifurcações evolutivas: Devica, Humana e mais cinco linhas, das quais nada foi dito,salvo que o Reino Funghi(dos Cogumelos) pode ser uma delas. Os mamíferos seguem a linha de evolução que culmina no Quarto Reino(Humano), enquanto que os peixes, insetos, anfíbios, pássaros, aves  e demais espécies marinhas( esponjas, cefalópodes, etc) seguem para a linha Devica através dos espíritos da natureza. Parece que certas espécies de Cetáceos (nomeadamente os Golfinhos, sobretudo a subespécie Tursiops Truncatus, o famoso Flíper) podem pertencer a uma das outras linhas evolutivas (há quem diga que os Cetáceos são formas utilizadas por Inteligencias de Sírius aqui na Terra para captar, especializar e manifestar um tipo especial de Força Supra-terrena). 

Mais informações sobre os elementais estarão disponíveis em outro tópico,pois consideramos de extrema importância elucidar questões pertinentes ao assunto tanto para desmistifica-lo e pontuar a seriedade que o mesmo encerra, como também para alertar sobre os perigos de invoca-los indiscernidamente por meio de rituais extremamente perigosos.





Cada Reino da Natureza possui um Deva-Raja(Rei), um "Deus" que é o somatório arquetípico de todas as formas relacionadas ao seu Reino particular. É dito que o Deva-Raja mais perfeccionado  dentro do sistema atual é o do Reino Vegetal, o que se justifica por tudo o que esse Reino possibilita para a vida do Planeta e dos Reinos subsequentes: fotossíntese, alimento, proteção, beleza, cura, transmutação, aroma e poder de adaptabilidade.  Todos os Deva-Rajas existem,por sua vez, sob ação do Grande Espírito Planetário que usa a Terra como veículo, e assim sucessivamente em escalas que escapam até ao mais vasto e profícuo imaginário.

Em síntese, todas as formas da Natureza surgem da Mente Divina e são moldadas pelos Anjos e Devas(e todos os espíritos da natureza subordinados) para que a manifestação das Monadas nos seus mais variados estágios de evolução em qualquer um dos Reinos.




As Hierarquias diretivas são divididas da seguinte forma(de acordo com a tradição Hebraica):

1-A Nuvem das Testemunhas Silenciosas diante do Trono - Serafins,Querubins e Tronos.

2- As Ordens Avançadas - Dominações, Principados, Potestades e Virtudes.

3-As fileiras dos Anjos - Arcanjos, Príncipes Angélicos, todos os anjos de serviço e culto especializado (cerimoniais, musica, cura, etc.).

Em linhas muito resumidas, a primeira classe responde pela manipulação da Vontade, do Amor e da Sabedoria de Deus, agindo diretamente com a Santíssima Trindade. A palavra Hebraica “Serafin” significa “Amor”. Todo ato de amor puro e incondicional recebe a força dos Serafins. Há quem diga que as mais belas e profundas obras de Johan Sebastian Bach e de Beethoven atraíam a atenção dos Serafins,que derramam benções toda vez que as obras desses gênios são executadas. Talvez as músicas reveladas pelos grandes gênios tenham sido uma poderosa linguagem de comunicação com o Reino Dévico. Max Heindel descreve a atuação dos Anjos da Musica no seu livro “O Mistério das Grandes Operas”, assim como Charles Leadbeater e Annie Besant também dão testemunhos das belas formas geradas em concertos clássicos e de como os Devas lidam com elas. Talvez isso explique, pelo menos em parte, o poder reparador que a musica clássica e outras de superior inspiração exercem sobre nós(recordando que a maioria das Grandes Obras Clássicas são Ideias Divinas musicadas  impossíveis de serem postas em palavras, fora que pelo Belo, o alcance é maior).  

A segunda classe regula e organiza a energia emanada pela classe anterior, preparando as forças da Santíssima Trindade para a atividade criadora, que é levada a cabo pela terceira classe onde se incluem os Arcanjos, que são os Agentes Divinos mais ativos, verdadeiros emissários que infundem as mais magnificentes Ideias e Forças no núcleo de cada plano do universo.

Cada Arcanjo pode representar qualquer uma das classes anteriores, como é o caso de Mikael( Literalmente Aquele se assemelha a Deus),  representante das Potestades que é a Ordem responsável pelo combate a ilusão e a dissipação dos véus da separatividade. Mikael é o agente “material” das Potestades. Em algumas representações artísticas Ele é representado segurando um buquê de lírios (símbolo comum a Gabriel) em lugar da espada, no entanto, ambos os símbolos se completam: a espada corta as ervas daninhas, raspa os espinhos e permite que os lírios da pureza cresçam e sejam colhidos. A espada é a vontade, o discernimento espiritual; os lírios a Sabedoria pura e incólume à espera de quem quer e possa colhe-la.






OS ARCANJOS MAIS CONHECIDOS

-Rafael (CURA/MÉDICO DE DEUS): É o agente universal de cura, seja em que nível for, mas também, rege as artes, sobretudo a música.

-Uriel: É o mensageiro da esperança e trabalha como um alquimista no Plano Mental. Inspirou RAMA, um dos Patronos da presente Raça Raiz. Ele faz a conexão entre os mundos inferiores e os superiores dentro da Árvore da Vida.


-Gabriel (GABI=VARÃO + EL=DEUS): É o agente universal das revelações, aquele que fecunda as idéias na substância formativa da matéria física (éter). Apareceu para Maria, Maomé e Zoroastro, assim como para muitos outros canais que tinham funções de caráter coletivo.

-Mikael (Miguel= MIKA+EL= O que É igual a Deus): Inspirou AB-AHAM (ABRAÃO, O Primeiro Pai) e agiu por trás de Joana D’arc. Muito se tem dito e escrito sobre esse Arcanjo, no entanto, pouco é credível em meio a tanta fantasia e interpretações excessivamente devocionais e emocionais.


Os Anjos são vistos como símbolos de pureza,elevação, amparo e cura, todavia, estão existem para que o plano de Amor e Luz se cumpra, posto que sem eles não é possível a comunicação entre as Idéias /Arquétipos Criadores e a existência concreta/fenomênica. Já Os Arcanjos são as inteligências superiores que coordenam a ação dos Anjos e dos espíritos da natureza. Existem Anjos especialmente dedicados para a cura, comumente vistos em hospitais como também em locais onde as pessoas consagram suas energias e habilidades para artes de cura em geral. Existem os Anjos Litúrgicos, que atuam durante os ritos religiosos manipulando as forças ali invocadas e precipitadas para que sejam utilizadas na conexão /aproximação entre os Planos de Consciência Superiores e os inferiores. Durante uma oração centrada no coração e com interesse real e legítimo no bem alheio, sem ranço de desejo egoísta, é possível que certa classe de Anjos recolha as formas pensamento geradas e as encaminhem para a finalidade a que se destinam( entendam que não falamos aqui em desejos pessoais e nem tele-anjo). A verdade é que os Anjos estão sempre à serviço de tudo que conspira pelo Bem e que gere harmonia no corpo de Deus, do qual somos células.



Um Deva da Cura


O assunto é muito mais vasto e complexo do que imaginamos, tendo inclusive sido comentado pelo Mestre D.K (O Tibetano) como sendo "um tema por deveras complexo que exigiria vários volumes com milhares de páginas". Ele quis dizer que uma coisa é a abordagem mística e devocional(a mais comum),outra a ocultista e esotérica. O fato é que mesmo para os Mestres do Quinto Reino da Natureza não é simples encontrar termos ou símbolos suficientes para descrever o que realmente representa essas correntes evolutivas distintas da humana. Nossa própria limitação psíquica e seu contêiner de crenças contribuem para que a dificuldade aumente. Não é sem razão que antropomorfizamos os "Deuses" para identifica-los e aproxima-los de nós.

Arcanjos principais:
Cada Arcanjo rege as funções de uma Sephirat** específica (plano de atividade). Sendo dez o número de Sephirot, temos dez grandes Arcanjos:

KETHER: METATRON
CHOCKMAH: RATZIEL
BINAH: TZAPHQUIEL
CHESED: TZAQUIEL
GEVURAH: KAMAEL
TIPHARET: MIKAEL
NETZACH: HAMIEL
HOD: RAFAEL
YESÓD: GABRIEL
MALKUT: SANDALPHON

OBS: Cada Arcanjo é um "Colegiado" de Arcanjos que trabalha dentro de linhas de ação especificas.  Isso significa que os seus nomes simbolizam as qualidades ou tônicas dessas coletividades. O nome Raphael, por exemplo, se refere a uma "Ordem de Arcanjos" responsiva pela Cura, reparação e regeneração de todo um sistema.  O mesmo vale para as demais. E fora essas ordens conhecidas, existem muitas outras pouco citadas, mas ingualmente importantes dentro da Hierarquia Cósmica. Exemplos: Uriel e Jofiel. 

Árvore da Vida/ Sephirótica (OTZ CHAIM)







(*) Notas:
* Mônada: Do Grego mono(indiviso, inteiro), termo cunhado pelos Teósofos(utilizado pela primeira vez por Leibnitz) para designar o verdadeiro espírito, que é uma individualização de Deus, O LOGOS do nosso Sistema Solar. A Monada é idêntica ao Pai em potencialidade, trina em essência(Vontade do Pai , Amor-Sabedoria do Filho e Inteligencia Criadora do E. Santo). Porém, como dizia Huberto Rohden "o Homem é potencialmente Divino, ou seja, da potencia para a plenitude do potencial é preciso ação(evolução)". A evolução permite a revelação do potencial implícito como poder criador explícito. A Monada quando se reveste do Reino Humano desenvolve Manas(razão),e diferentemente da sua passagem pelos Reinos anteriores,aqui ela atua por meio de uma Alma individualizada e uma personalidade. Nos reinos abaixo ela se manifestava através de coletividades(alma grupo) . No nosso sistema solar existem 60 bilhões de Monadas, sendo que uma pequena fração desse total está em manifestação. Uma Monada se demora centenas de milhões de anos para explorar um Reino. Daí que os Ensinamentos revelam que existe um vastíssimo esquema evolutivo muito mais complexo do que aquele oferecido pela ciência ortodoxa. Na Cosmogenese e na Antropogenese Teosófica nos é apresentado esse plano, porém, a nós não compete adentrar nessa seara, apenas informar que a evolução não dá saltos e que o simplório não tem lugar nos ensinamentos... 


**Sephira: Literalmente "medida". No plural Sephirot, especializações da Energia Criadora de D’us, diferenciações do Alento UNO que se manifestam como mundos, tônicas, frequências, dimensões, níveis de consciência, disciplinas, etc. Todos os Arcanjos habitam o Triangulo Divino da Árvore Sephirotica, mas estão relacionados às suas respectivas Sephirot de Domínio através do núcleo/ centro delas, fora os Anjos que respondem à Eles.

(Continua na segunda parte)


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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Pérolas dos Ensinamentos : As Regras da Senda Espiritual

As Regras da Senda
(Regras do Caminho)




-A Senda é trilhada em plena luz do dia. Nada pode ser escondido, e a cada volta, o viajante  deve confrontar-se consigo mesmo. Conforme avança, leva consigo uma parte do guardião do umbral planetário. Quando um Iniciado se torna um Adepto ele leva ao Adeptado uma porção da Humanidade. Isso precisa ser meditado pelo Aspirante desenvolvido, pois o comum não pode encetar tamanho esforço. Seu guardião pessoal ainda está por deveras ativo. Quem pensa no caminho como uma realização pessoal ainda está cativo do guardião e, portanto, não pode contemplar a cadeia do infinito. Assim, somente o coração esquecido de si mesmo consegue chegar até Nós e ser acolhido como um canal para escoar o Fogo da Hierarquia. Mas ele escoa o Fogo do Coração do Mundo na proporção em que escoa a dor do mundo. O Buda ensinou isto. Poucos, de fato, o compreenderam.

-No Caminho o escondido é revelado. Cada um vê e sabe da vileza de cada outro (Não posso encontrar nenhuma outra palavra que designa a estupidez não revelada, a baixeza e ignorância crassa, e o auto-interesse que são as características distintivas do aspirante comum). E, no entanto, com aquela grande revelação, não há retorno, não há rejeição de uns aos outros, e não há debilidade na Senda. A Senda segue em direção ao dia. Vê a vileza do outro para despertar a máxima compreensão, esse bálsamo do coração, pois na medida em que vejo a vileza do outro, também estou visível a quem me estende a mão um degrau acima.

-Ninguém percorre o Caminho sozinho. Não existe afobação nem pressa. E, no entanto, não há tempo a perder. Cada Peregrino, sabendo disso, força seus passos para frente e se encontra rodeado por seus companheiros. Alguns caminham à frente: ele segue. Alguns caminham atrás: ele estabelece o ritmo. Ele não viaja sozinho. A sensação de solidão é uma miragem a ser superada, ainda que estar sozinho possa inicialmente ser uma condição desejável quando as forças da Alma são transferidas para a personalidade. A ebulição dos fogos sutis pede reclusão  e reserva.


-Três coisas o Peregrino deve observar:
 Usar um capuz, a máscara que encobre seu rosto dos outros; levar um cântaro com água somente para suas próprias necessidades; carregar nos ombros um cajado sem um gancho para segurar.

-Cada Peregrino na Senda deve carregar consigo aquilo que ele precisa: um braseiro, para aquecer seus companheiros; uma lanterna, para iluminar seu coração e mostrar aos seus companheiros a natureza de sua vida velada; uma bolsa com ouro, que ele não espalha na Estrada, mas divide com os outros; um vaso lacrado, onde ele leva todas as suas aspirações, para depositar ante os pés Daquele Que aguarda para recebê-lo no portão - um vaso lacrado.

-O Peregrino, à medida que percorre o Caminho, deve ter o ouvido aberto, a mão generosa, a língua silenciosa, o coração purificado, a voz suave, o passo rápido e o olho aberto para ver a Luz. Ele sabe que não viaja sozinho.




Do livro Miragem: um problema mundial, de Alice A. Bailey

Magia ou Mágica? Ilusão ou Iluminação? (atualizado)

MAGIA OU MÁGICA? FEITIÇO OU ILUMINAÇÃO?


Por Marcio Isael Larsen 


No excelente desenho “Fantasia” de Walt Disney, feito originalmente em 1946 e que ganhou uma versão no ano 2000 (intitulada Fantasia 2000), destacamos a peça “O Aprendiz de Feiticeiro” protagonizado pelo seu mais famoso personagem, Mickey.
Ao ver esse desenho encantador nos chamou atenção a riqueza da mensagem nele contida, posto que além da graciosidade da peça em si, o seu autor nos brinda com uma lição das mais valiosas contidas nos ensinamentos Teosóficos: APRENDER A SABER. E aqui, o aprendizado é muito sério, pois Mickey está aprendendo saber SER um Mago.
No desenho temos nosso carismático personagem vivendo um humilde aprendiz que vive sob a orientação de um verdadeiro Mestre-Mago, que inicia o desenho criando uma forma-pensamento a principio meio assustadora semelhante a um morcego, mas que logo se transforma numa bela Borboleta, mostrando que ele tem o Poder e a Sabedoria para transformar a matéria em estado bruto, cru e neutro em matéria pura e servil a vontade do puro Ser. Um aprendiz não teria esse poder desenvolvido o suficiente, pois sua personalidade ainda contém traços de desejos e inclinações egoístas que poderiam afetar negativamente o resultado desse ato.

Notamos que o Mago veste uma indumentária Azul, enquanto que o seu aprendiz veste uma na cor vermelha, o que é muito significativo, posto o Azul representar a Vontade, enquanto o vermelho manifesta o Desejo, forças aparentemente parecidas no modo, mas muito diferentes na essência. E Disney parecia saber disso! O fato do Mestre-Mago vestir azul demonstra que a Vontade do Espírito é o poder que rege os seus atos, e vontade significa ação direta da essência, sem sofrer as interferências da personalidade com seus desejos insaciáveis, com suas tendências e carências, com a sua pessoalidade, projeções e medos. O desejo é o oposto, ainda que fundamental, pois é ele que nos impulsiona a agir, no entanto, é cego e visa somente o próprio benefício. Na investidura do desejo e por ele compelidos fazemos muita coisa errada, excitantes no início, mas depois difíceis de serem reparadas em suas consequências. Mickey que o diga, aliás, dirá ao fim da sua experiência.

O chapéu do Mestre-Mago é ornado com estrelas, simbolizando que ele está conectado com a dimensão Cósmica da vida e que já despertou a própria Luz. Esse chapéu pontudo é uma extensão do seu centro da coroa, uma espécie de “portal” situado no topo da cabeça que nos relaciona, uma vez desperto, com a realidade macrocósmica e com a vida Transpessoal. Oposto a esse centro existe o básico, que nos relaciona com a vida instintiva e com todos os imperativos da sobrevivência material.

O Mestre-Mago, após um dia de serviço consagrado a transformação da matéria se recolhe para descansar, deixando o seu chapéu sobre uma mesa. Em seguida ele “sobe” as escadas para momentaneamente se retirar. Mickey até então se contentava em lavar e varrer o chão em um dia a dia aparentemente entediante, afinal, ele via o seu Mestre realizando feitos incríveis, enquanto que a sua “magia” era fazer o que todo mundo faz, ou seja, o que todos não querem fazer: as tarefas cotidianas, os serviços efêmeros, tudo o que por suposição não faz parte de uma vida mais “elevada”.

Mas eis que o nosso querido ratinho vê à sua frente a maior das chances de poder se “igualar” ao seu mentor: Ele veste o chapéu do Mestre! Meio torto e desajeitado sobre a sua cabeça, o chapéu parece que não lhe cai bem, soa meio desproporcional,  indicando que não podemos “vestir” o que não nos cabe. Pior ainda, não devemos querer ser o que não estamos na condição de sê-lo, pois as consequências certamente serão desastrosas.


De posse do novo e poderoso instrumento de trabalho, Mickey resolve arriscar lançar um “encantamento” para a vassoura. Do "alto" da sua condição de aprendiz, ele se gesticula por inteiro(numa cena impagável e hilária), fazendo das mãos o equivalente a vara de condão (que é uma extensão da vontade). Após certo esforço ele consegue  implantar o seu desejo na vassoura e "anima-la", dondo-lhe vitalidade, braços e pernas  para encher os baldes e  lavar o castelo. Desnecessário dizer o quanto nosso aprendiz fica emocionado e radiante, se sentindo “poderoso” e orgulhoso.  Delegou todo o trabalho ordinário ao “elemental” que ele plantou na vassoura, agora, sua serva. Vale destacar que a música dita todo o processo com uma condução espetacular!


Como a energia do desejo foi amplificada pelo chapéu já magnetizado pela vontade do Mago, algo está prestes a “desandar”: enquanto Mickey entra no modo “mago” e delega suas tarefas ao Elemental, ele se acomoda e acaba adormecendo. Imediatamente ele sai flutuando do seu corpo físico com o seu corpo astral ( que é o corpo de desejos). E no Plano Astral ele cria uma delirante “miragem” na qual consegue exercer a sua magia sobre o mundo sideral, controlando cometas, estrelas cadentes e tudo o mais. Comanda de maneira retumbante , do alto de uma elevada rocha  os elementos da natureza, especialmente a água, que arrebentam agitadíssimas contra o penhasco, tudo por força das poderosas correntes de desejo postas em movimento pelo "mago". 

O problema é que enquanto o "poderoso Mickey" vive esse devaneio, a vassoura animada pelo desejo continuou a encher, sem limites,  tantos baldes que o castelo ficou inundado. Esse alagamento faz com que o “mago” acordasse com a sua cadeira flutuando em meio aquela enchente que o seu desejo desencadeou, e que estava quase o afogando. 
A água tanto pode conduzir como desviar, nela podemos flutuar ou afundar...


Sabemos que o elemento água está relacionado com a emoção e com o desejo, pois ambos nos arrastam feito uma correnteza uma vez que não estejam sob ação diretiva da Consciência Pura, da Vontade e do Discernimento. Mickey agora está numa situação delicada, já que ele não sabe como desfazer o encanto. Num rompante desesperado, violento e instintivo ele pega um machado e parte a vassouras em vários pedaços no intento de destruí-la. Achando que isso daria fim ao problema, eis que a falta de conhecimento cobra o seu preço: ele quebrou o objeto, mas o elemental criado, o desejo potencializado não o fora. E assim, atestando a máxima que diz “matar é multiplicar”, de cada pedacinho da vassoura tantas outras nascem até que um exército de vassouras é formado, todas munidas com baldes e sedentas por mais água(desejo).

Mickey agora não pode fazer nada. Ele empenhou sua energia para dar forma ao que desejou, embora não disponha de conhecimento para desfazer o que a sua imaturidade consciencial iniciou. E o seu estado emocional não dá espaço para a razão se manifestar, em suma, ele está afogado no seu desespero. Falta-lhe "autoridade" e "maturidade", qualidades indispensáveis para um Mago. Isso nos faz lembrar um dos trabalhos do mítico herói Hércules, quando ao se deparar com uma terrível hidra-dragão de nove cabeças vivente num pântano fétido e estagnado, não conseguia mata-la de forma alguma, pois ao cortar qualquer uma das nove cabeças  mais três nasciam no lugar. Ali, no ambiente onde a Hidra era forte Hércules não tinha a menor chance de vencê-la, e sabia que não era agindo daquela forma que ele obteria êxito na sua investida. Ele teve que se ajoelhar, pedir orientação para que fosse iluminado e assim, saber como agir. Dessa forma ele intuiu  erguer a Hidra no ar puro ao alcance do Sol, acima do ambiente de fortaleza do monstro. Com efeito, sob a Luz do Eu Divino e no Ar puro da Inteligência Superior, a Hidra se desfez. Mas Hércules já era consciente de muitas coisas que provavelmente nosso aprendiz ainda não era.

Mickey estava em apuros por tentar ser o que não podia na hora errada, fora de tempo. Potencialmente ele tinha os mesmos poderes e faculdades do seu Mestre, mas ainda tinha muito que aprender para ser. No meio daquele redemoinho de desejos que já estava quase afogando o ratinho, ele busca socorro num grande livro no qual tenta achar o ensinamento que desfaz o encanto, mas mesmo que ele o achasse de nada adiantaria, pois naquele estado aviltado de consciência qualquer coisa que ele fizesse só poderia agravar ainda mais a situação. Fora que ter o conhecimento difere de saber! Ele poderia teoricamente compreender os procedimentos para cortar o elo com o elemental, mas lhe falta a vivência. Como ele ainda não saboreou a informação e os ensinamentos do Mestre, o conhecimento por si mesmo em nada faria efeito. Quantos conhecimentos adquirimos sem que nossos atos necessariamente correspondam aos mesmos? Como diziam os chineses “falar arroz não cozinha o arroz”.



Então, quando tudo parecia perdido eis que aparece o Mestre-Mago envolto numa aura dourada (sabedoria), e vendo aquela situação tragicômica ,abre caminho com suas mãos por entre as águas e restitui o ambiente ao seu estado original, salvando seu tolo aprendiz do próprio “feitiço”. Em “desencanto” e com cara de quem sabe que fez o que não deveria, Mickey  pega os baldes sob o olhar severo do Mestre Mago, que com a vassoura em mãos, dá um leve empurrão no ratinho para que esse reassuma seus deveres.


O que podemos aprender e apreender mais desse fantástico desenho? A maior lição está na humildade em saber executar com amor e vontade boa as tarefas ordinárias que movem o mundo, visto que essa é uma das condições inexoráveis  para  atingir a estatura que o Mago personifica. Ele é um servidor do mundo, vive recluso, não possui um séquito de adoradores, apenas um aprendiz que certamente tem as suas virtudes, pois do contrário não estaria ali. Mas o aprendiz não quer fazer aquele serviço chato, ele deseja receber lições de magia (ou seria mágica, ilusionismo???), quer ter esses poderes para dar vazão aos seus desejos, e talvez até para fazer o bem, porém, fazer o bem sem saber “bem” como fazer  e o que fazer pode resultar em um grande “mal”.

Curioso é o fato de que nos monastérios, sejam eles Budistas, Hinduístas ou Cristãos os monges estão sempre cumprindo deveres ordinários, tais como varrer, lavar, cozinhar... Não os encontramos levitando, desmaterializando objetos, ou seja, nenhuma proeza extraordinária. O que ali vemos são pessoas ordinárias realizando o dia a dia de forma extraordinária. Alguns até podem realizar atos de natureza extrafísica, mas certamente que as finalidades desses atos nada têm a ver com a intenção do Mickey.

A verdade é que muitas pessoas confundem magia com espiritualidade, e isso requer muito atenção, pois todos nós temos sentidos mais sutis que podem ser despertos sem que a consciência espiritual o seja. E por consciência espiritual entendemos tudo o que nos conduz para uma vida mais sapiente, ética, compassiva, impessoal, interpessoal e frugal, cuja culminância é a transcendência para a condição de co-criadores com Deus. É uma longa jornada que requer vontade de expressar através da personalidade a verdadeira Magia: exteriorizar as virtudes da Alma e agir como uma Presença de Deus no mundo. Claro que um Mestre da Magia Clara pode realizar coisas impensáveis, mais isso não é o mais importante, pois esses sentidos se manifestam na proporção em que a consciência pura entra em atividade. Exemplos de magia verdadeira: Gandhi, Mandela, Nise da Silveira, Jung, São Francisco de Assis...

Como a humanidade ainda é por deveras infantil e deslumbrada, facilmente enganável e suscetível a “encantamentos” Os Verdadeiros Mestres sabem que usar fenômenos “sutis” é perigoso, e explicam que em nós certos sentidos psíquicos estão adormecidos pelo fato de não termos amorosidade, maturidade psicológica e sabedoria suficientes para maneja-los sem causar destruição. Seríamos todos “magos negros” se em nossa atual condição tivéssemos em mãos tais faculdades. Na verdade, já estaríamos destruídos! São muitos os relatos em diversas tradições sobre uma civilização que foi tragada pelas “águas” quando não teve sentido de proporção e maturidade para manipular determinadas forças...

Vejamos Jesus: A Ele são atribuídos milagres, mas é bem provável que o que quer tenha sido feito nesse sentido, foi encerrando um simbolismo, uma lição. Por exemplo: O milagre de caminhar sobre as águas  foi uma maneira de representar a transcendência das emoções e dos desejos, da mesma forma que transformar água em vinho simbolizou a mutação da água emocional no vinho da consciência Crística, desperta. A graça de ter dado "visão aos cegos", pode ser uma referencia a "cegueira espiritual". Ele mesmo disse: "OS HOMENS TEM OLHOS, MAS NÃO ENXERGAM".

Poderíamos nos estender por milhares de páginas, porém, fiquemos por aqui meditando sobre as magias que podemos realizar no dia a dia para que esse se torne nosso vestíbulo probatório, nossa escola de magia, pois é no cotidiano que se apresentam as maiores e mais significativas oportunidades para pormos em prática as Santas Faculdades da Alma: Compaixão, Compreensão, Entendimento, Discernimento, Imparcialidade, Impessoalidade, Bem Servir, Saber Cuidar, Ritmo, Ousar, Calar e Co-Criar com Deus. Precisamos, como o Mago, transformar nossos pensamentos e emoções sombrios em formas sublimes e criadoras, entendendo que tudo o que projetamos na atmosfera psíquica do planeta retroage sobre nós, tanto inspira como pira, tanto gera como degenera

O Mestre real do Mickey, o Senhor Disney estava aqui nesse plano,mas trabalhava simultaneamente em outros para dar forma e sentido a para algumas das criações mais geniais já feitas. E nós podemos fazer o mesmo cuidando do que sentimos e pensamos, aspirando e gerando formas mentais e emocionais mais elevadas e sublimes, edificantes e construtivas.

Vamos aspirar ao que for mais elevado para gerar e agregar valor e beleza a condição humana. Afinal, somos todos Magos!